DJ na festa brasileira
Vídeo sobre meu trabalho na festa brasiliera na Australia (Perth)
Tudo igual mas diferente
Os 6 meses que planejei para ficar na Austrália passaram, mas eu ainda estou aqui. Resolvi estender meu visto por mais 6 meses, porque preciso de mais tempo para estudar. Além disso, é uma péssima hora para voltar ao Brasil, porque o nosso pais só funciona depois do carnaval. Não seria um momento apropriado para me recolocar no mercado de trabalho.
Tirei 2 meses de ferias, volto a estudar em marco e em junho volto ao Brasil. Agora conheço melhor a cidade e tenho condições de focar a minha vida nos propósitos que me fizeram vir para a Austrália . Nos primeiros 6 meses a gente fica perdido. É muita mudança e adaptação: distância da familia e dos amigos, uma nova cultura, voltar a estudar o dia inteiro, a dificuldade na comunicação, a saudade do Brasil, um novo tipo de trabalho que a maioria de nos nunca fez no nosso país (lavar louça, ser garçom, fazer faxina, cozinhar etc). Tudo isso faz a gente viver meio que apagando incêndio, como diria Zeca Pagodinho: deixando a vida nos levar.
Professor de forró
Você lembra da idéia que dei no restaurante que trabalho para começa um rodízio de pizza com forro? Depois do sucesso, contrataram-me para dar aula de dança. Na última aula tinha cerca de 20 alunos. Além disso, tenho minha particular multi-cultural turma de forro, com três australianos, três brasileiras, um suíço, uma taiwanesa, e uma americana . Esses dias encontrei no restaurante um casal de leitores do meu blog. Marcelo e Aline agradeceram as informações que escrevi sobre a cidade. Isso foi muito importante pra mim. Quero que este blog, além de ser um relato sobre a minha vida, possa ajudar as pessoas que querem vir para a Austrália , em especial Perth
Quente Perth
Em Perth o calor está insuportável. A média varia em torno de 35 e 40 gráus. Esta difícil até dormir, porém, a água do mar que era congelante, está uma delícia. Os mosquitos foram embora, mas as européias continuam embelezando a cidade.
Dica sobre Perth
Essa dica nenhuma agência informa. Não pague mais que quatro meses de curso de inglês. É muito tempo pra você estudar sem descanso. Estude quarto meses, pegue dois meses de férias e estude mais 3 meses. Com isso, você poderá trabalhar para pagar o próximo curso durante as férias e ainda terá um refresco. Pelo que sei, no primeiro curso você tera que estudar 4 meses. Mas a partir de então, pagando três meses você receberá entre 15 e 30 dias de férias e terá um intervalo de 2 meses para iniciar o novo.
Marca Brasil
Ser brasileiro aqui é marca famosa. As pessoas gostam muito da nossa cultura, do nosso jeito, da nossa língua. Até porque a Austrália não tem muito a oferecer culturalmente. É um país muito novo, um bebe buscando sua própria identidade. No dia 26 de Janeiro foi a comemoração do dia da Austrália . Muitos me disseram que seria um dia badalado; a principal festa daqui. No fim, não aconteceu nada! As pessoas foram aos parques, jogaram bola, conversaram e o mais diferente foi um show pirotécnico de 30 minutos.
Às vêzes a falta de criatividade do australiano me incomoda. Por exemplo: as propagandas são idiotas, os programas de TV cansativos, eles não tem interesse em saber o que acontece ao redor do mundo e em fazer uma universidade. Se você vai a um bairro igual ao que trabalho (Subiaco), a maioria das lojas tem o nome do bairro (Subiaco padaria, Café Subiaco, Subiaco hotel, como na foto acima) Mas, talvez, essa falta de criatividade é que faz a Austrália ser o que é. Eles não tem o jeitinho brasileiro de querer mudar as coisas. Se existe uma regra eles simplesmente obedecem. O brasileiro sempre tem novas idéias. Quebrar as regras é a principal regra. Essa talvez seja a nossa grande vantagem, mas também a nossa ruina.
Umas das coisas que me surpreende aqui é a quantidade de brasilienses que vem para Perth. Eu conheco muitos e todo mês chegam mais candangos. É engracado vir para o outro lado do mundo e conhecer uma pessoa que mora numa quadra depois da minha, na Asa Norte.
Hoje estive na praia e o mar estava como uma piscina, sem nenhuma onda. É muito gostoso nadar. A foto acima mostra este mundaréu de piscina, no fim de mais um dia na Austrália.
Até o próximo texto.
See you later
Calebe Pacheco
Adeus Jorge Pacheco
Seu Jorge, seu forte.
Valente, corajoso e desbravador.
Servo que edificou mais que templos,
Se dedicou e amou pessoas.
Viajante sem fronteiras pelo Brasil,
Foi pastor, profeta, missionário,
Amigo e instrumento de Deus
Para reconstruir familias destruídas.
No sacerdócio de avô,
Você era minhas ferias preferidas,
Meu conselho a qualquer hora,
Exemplo de guardião da palavra de Deus
Nunca poderei esquecer as milhares de vezes que engraxei seus sapatos
Das inúmeras vezes que roncou ao tentar me fazer dormir,
Da caixa de bombom garoto, presente certo em todas as ocasiões especiais,
E das maravilhosas viagens que fizemos juntos
A sua partida, mesmo que esperada, fere nossos corações,
Mas nos alegra em saber que o seu grande sonho foi realizado,
De estar na presença do nosso maravilhoso Pai,
Desfrutando de Sua presença, amor e glória.
Infelizmente não estou perto para ver você pela ultima vez,
Mas guardo na minha lembranca, a sua luta e perseverança,
Para ser a cada dia um melhor marido, pai, avô e servo de Deus.
Pode me esperar, porque ainda vamos celebrar as minhas definitivas ferias desta terra juntos.
Beijos de seu neto Calebe Pacheco
Encontros e despedidas
Tão certo como o inusitado encontro,
É a precoce e repentina despedida,
Que de fato nem sempre acontece,
Simplesmente o presente se transforma,
Em mais uma historia de nossas vidas.
Como flores na repentina primavera,
Que floram numa manha fria ou quente,
Vocês aparecem e tornam a vida mais viva.
Mais sombria, como um assalto na noite fria,
Desaparecem com pedaços de corações.
Pedros, Manuellas, Thiagos,
Houdes, Victors, Francis,
Karlos, Stefanis, Adrianas,
Encontro, afeicao, companheirismo.
Despedida, nostalgia, pedaços se vao
Realidade de uma efêmera Austrália,
Parêntese em nossa existência,
Na busca de individuais objetivos,
Para o qual a vida sempre reserva,
Surpreendentes e incontáveis respostas
Está nas flores a melhor resposta,
Para as mais sublimes perguntas,
Todo conhecimento e riquezas são ínfimos,
Quando não se tem um jardim com flores,
Porque, no fim, somos aquilo que cultivamos
Calebe Pacheco
Decido não decidir
Chega de perguntas sem respostas,
Mar de questões que não saem da areia,
Âncora retrógrada da minh’alma,
Que me prende a ressaca do mar.
Cansei de fadigar o corpo com minha alma esgotada.
Se tenho que viver, vivo! Se tenho que morrer, morro!
O que não posso e viver como se estivesse morto.
Às vezes vivo tanto a surrealidade do futuro,
E carrego de tal forma a nostalgia do passado,
Que não percebo a realidade do presente.
Quero penetrar no que os meus olhos vêem,
Experimentar o que o meu coração sente,
Sentir o sabor amargo e doce do agora.
Decido:
Não decidir mais sobre as paixões;
Não mais terminar os amores invisíveis;
E apreciar só o que Deus me permite viver.
Calebe Pacheco
Tudo mudou, menos a saudade
Muita coisa mudou desde a minha última postagem. Desculpem-me meus amigos e leitores, mas não tenho muito tempo pra escrever. A escola toma quase todo o meu dia, tenho que trabalhar e ainda estudar em casa. O tempo que sobra eu preciso dormir e me divertir um pouco.
MUDANÇAS
Graças a Deus eu não trabalho mais como kitchenhand. Depois disto fiz limpesa de escritório e agora sou garçon. Mas, como aqui as coisas mudam muito rápido, não sei o que serei na semana que vem. A grande novidade é que também sou DJ na principal festa brasileira de Perth. Além disso, por minha sugestão, o restaurante que trabalho começou o primeiro rodízio de pizza de Perth, com banda ao vivo tocando forro. Foi o maior sucesso! Os forrozeiros daqui agora tem onde dançar na quarta-feira.
NOSTALGIA
E engraçado como a nostalgia toma conta da gente. Qualquer coisa que lembra o Brasil faz os brasileiros se sentirem bem. As musicas, a comida, o futebol, tudo parece trazer o Brasil para mais perto. Quem não gosta de samba começa a gostar; quem não gosta de forro começa a curtir, os nossos sentimentos ficam a flor da pele. Esses dias fui almoçar num restaurante Brasileiro e quando as garçonetes colocavam a feijoada os brasileiros quase babavam. De vez em quando os amigos vão a minha casa e ficamos na frente do computador ouvindo samba, forro, e cantando como quem canta a tristeza da saudade.
UM POUCO MAIS SOBRE A CIDADE
Aqui não se pode ficar bêbado na rua, não se bebe e nem se vende nada nas praias. Não se vende cerveja ou vinho nos supermercados. Existem os “bottle shops”, comércio próprio pra vender bebida alcoólica. Há 2 meses eu tive que comprar uma bicicleta, porque estava começando a trabalhar muito cedo, e não tinha ônibus. Foi muito cômodo pra mim. Como em Perth muita gente anda de bicicleta, já existe uma estrutura de estacionamento perto das lojas, nos centros, nas estações de transporte publico e é permitido entrar com a bicicleta no metrô. Os ciclistas precisam respeitar a mesma sinalização dos carros: parar no sinal vermelho, dar seta com a mão, usar capacete e colocar luz a bateria na bicicleta pra andar a noite.
A cidade agora esta tomada por europeus, principalmente suíços, alemães e franceses. Eles geralmente chegam no fim do outono e ficam até o fim do verão. Aqui existe trabalho pra quem quiser. Se os brasileiros pudessem só trabalhar, teriam uma vida melhor. Trabalhariam 3 ou 4 vêzes por semana e curtiriam o restante do tempo. Por isso, os australianos não se preocupam em estudar. Eles conseguem a independência muito cedo, porque nunca falta emprego. Fora meus professores, eu não conheço um australiano que terminou a faculdade. Junto com os europeus chegaram os mosquitos. A cidade esta infestada. Você anda na rua e eles atacam; pousam na sua boca, ouvido, nos olhos, chega a ser insuportável.
Tão incomodo como as moscas é a solidão. E muito difícil não ter familia e namorada numa cidade que você não conhece ninguém e tem dificuldade pra falar a língua. Quem vem acompanhado tem uma vida mais fácil tanto no quesito solidão quanto pra alugar apartamento ou casa. De vez em quando precisamos dar uma forca aos amigos que querem lagar tudo e ir embora. Eu já precisei algumas vêzes.
Não espere muito das escolas e da cidade. As escolas de inglês no Brasil possuem a estrutura 3 vezes melhor do que as daqui. Além disso, por ser muito novo, o pais não possui uma cultura própria. Não tem música, comida típica, e as manifestações culturais são as dos aborígines. Da até sono ver as pinturas e ouvir as músicas. Até o último feriado, no mês passado, foi importado: aniversário da rainha da Inglaterra.
E se alguém disser que o clima daqui é igual ao do Brasil, é MENTIRA!!!!!! Estou há 4 meses em Perth e nos primeiros 3 meses choveu pelo menos 3 vezes por semana, o dia todo. Eu nunca senti tanto frio na minha vida. Como a cidade venta muito, a sensação térmica e muito mais baixa. Agora que chegou o calor o problema mudou. Eu não sabia, mas a maior parte do buraco da camada de ozônio esta aqui na Austrália. Por isso, o índice de câncer de pele e alto. E muito perigoso ficar exposto ao sol. Se você não usar protetor, em 30 minutos, a sua pele fica vermelha. Eu não sei se é verdade, mas me disseram que no verão o governo distribui protetor solar.
A cidade é muito bonita, cheia de parques, limpa e organizada… Vou sentir falta disso. Também da pluralidade cultura e da possibilidade de conseguir um novo emprego a qualquer momento. Porém, o sub-emprego, a obrigação de ter que estudar 5 horas por dia e a solidão fazem a vida ser difícil para os brasileiros. Não venha com muitas ilusões. As agências dão a entender que aqui é um paraíso. Mas a realidade crua e nua é bem diferente. Porém, eu não me arrependo. Eu não entendia e nem falava inglês, agora tenho o básico para me comunicar e ainda tenho um tempo para aprimorar o que aprendi. Fiz amigos da Korea, do Japão, da Franca, da Itália, da Suíça, da Colômbia, da Áustria, do Brasil e até da Austrália. Além disso, aprendi a valorizar mais o Brasil.
ULTIMAS
A ultima nova é que mudei de casa e agora moro com três amigos brasileiros. Os caras são muito gente fina e por isso estou curtindo mais a vida. Agora tenho o meu espaço. Ficar em home stay é bom, mas voce não tem a mesma liberdade. Fizemos um churrasco de inauguração da casa pra 40 pessoas. Foi um sucesso! Teve aula de forro, apresentação de bandolim, comidas típicas do Japão, da Korea e fiz ate pudim. Os asiáticos deliraram.
Ainda não decidi sobre o tempo que vou ficar aqui. Sei que preciso de pelo menos um ano, mas não sei se tenho paciência. Ficar longe da familia, amigos e do Brasil é muito difícil. A solidão é um dos piores problemas pra mim. Como disse meu amigo Thiago: “…seis meses é pouco tempo para aprender inglês e muito tempo para ficar longe de casa”.
See you
Por assalto
Como se conquista uma cidade por assalto,
eu preciso ser tomado,
surpreendido por um amor,
que na calada da noite
derrube meus muros,
imobilize minhas armas
e cerque-me ao ponto de constranger-me
a entregar minha alma.
Porque o amor, com sua majestade,
não pede licença, toma o que lhe pertence,
arrebata-nos à condição de sóbrios
neste mundo louco.
Não há mais tempo para se perder,
jogar ao léu os dias que não sorrimos,
dançamos, sonhamos e choramos.
Sufoca-me com os teus beijos!
Cega-me com o teu calor!
Envenena-me com o teu perfume!
E toma o que e teu!
Calebe Pacheco
Finalmente: igreja, churrasco e praia
“Ame ou deixe”. Essa é a definição dada pelos brasileiros que vivem aqui, para os primeiros 6 meses na Austrália; você ama e fica, ou odeia e vai embora. Lógico que o ódio não é pelo país ou pelas cidades. Está ligado a estrutura da pessoa que não aguenta ficar longe da familia, dos amigos, da vida que levava no Brasil ou não suporta o sub-emprego reservado para os sul americanos aqui. Mas a pessoa precisa de pelo menos 4 meses pra se decidir. A maioria dos brasileiros que mora a mais de 5 meses quer ficar. Vou guardar esta decisão pra depois.
Eu estive na companhia de dança que mencionei na postagem anterior e comecei a treinar salsa com eles. Saímos pra dança e foi muito bom! A galera é muito boa. Estou mais acostumado com a cidade, com o trabalho e pretendo curtir mais a vida aqui. Eu estava só trabalhando e estudando. Isso estava fundindo a minha “cuca”. Subi de nível na escola e consigo entender e falar melhor. Mas já percebi que 6 meses é pouco tempo pra aprender inglês. Um bom tempo talvez seja um ano.
Descobri que a minha professora é Batista e visitei a igreja dela no domingo passado. Foi um dos melhores dias que eu tive em Perth. Depois do culto, fomos à praia para a despedida do Danilo, um brasileiro que volta para o Brasil nesta semana. Eu me senti em casa. A igreja é muito acolhedora e tem boa musica. Ainda não posso falar sobre a palavra, porque não entendi muita coisa. Mas é maravilhoso como Deus faz as coisas. As igrejas aqui começam o culto às dez da manha, horário que eu tinha que sair para trabalhar. Na semana que a minha professora me convidou para ir à igreja dela, o meu chefe mudou meu horário para começar as 17 horas. Thank you Jesus!
A cidade continua com suas curiosidades. A educação aqui é invejável. Não existe lixeiro pra varrer a rua, por que não existe lixo na rua. No metrô, as pessoas esperam todos saírem pra depois entrar. As escolas contratam idosos a fim de parar o transito para os alunos atravessarem a rua. Todos os carros param tranquilamente.
Aqui todo o transporte é publico (ônibus, trem e barco). O governo distribui panfletos e coloca nas paradas o horário que o transporte passa nas principais ruas e nas estações do metrô. O atraso é de no máximo 2 minutos. Além disso, no posto de combustível cada motorista abastece o seu carro e depois paga na loja de conveniência. Ninguém fiscaliza quem paga. O controle e feito pela consciência de cada um e, como ninguém é bobo, existem câmeras gravando tudo.
Por falar em câmeras, elas estão por toda a cidade: no interior das lojas, shoppings, prédios,ônibus, metro etc. Nada passa em branco. Mas até isso eles fazem bem. Elas São estilosas e facilmente passam despercebidas. Eu achei uma feira de frutas, verduras, cereais e legumes parecida com as que temos no Brasil. Comprei feijão e me acabei de tanto comer. Também encontrei uma construção parecida com a torre de TV de Brasília.
Pra quem gosta de carro isso aqui é um paraíso. As ruas parecem uma feira internacional de carros importados. Eu vejo Mitsubiche aqui igual vejo Fiat no Brasil. Eu nunca tinha visto na minha vida um Porsche tipo caminhonete. Aqui eu vi. Lindo, lindo, lindo!!!
A cidade esta sempre em reforma. Você não vê um buraco no asfalto ou alguma coisa estragada. Eles estão sempre arrumando tudo. O fast food popular na Australia é o Hungry Jacks. Eu achei o sanduíche mais saboroso do que o do Mac Donald. A minha diversão e dos meus amigos brasileiros é comer a casquinha do Hungry, porque custa 40 cents. Ela não é tão boa, mas o preço é maravilhoso. Rsrsrs
Bem… já falei demais hoje. Qualquer duvida ou sugestão você pode mandar para o meu e-mail (calebepacheco@yahoo.com.br), ou deixar um comentário no meu blog.
See you
Deixe um comentário
Comentários (2)




Comentários (1)























