Arquivo da categoria ‘Pensamentos’

Um dia, pai

Pode ser que um dia, sejamos mais que meros conhecidos, mais que palavras rasas num oceano de expectativas.

Talvez em 10 ou 20, possamos nos olhar e matar a sede da doce água que temos inutilmente guardado durante anos.

Esquecer o imutável passado e simplesmente viver o resto de nossas desperdiçadas vidas.

Mas não se preocupe! Eu estou bem; eu estou indo. Todos os dias apagando a falta que você me faz.

Esquecendo a vontade de receber um convite, uma simples conversa, um conselho de quem deveria me ensinar a viver.

Também não se entristeça. Você não foi o único herói que virou bandido. Mas era o meu preferido, por isso o meu coração insiste em doer.

Pai! Eu não faço questão de ser tudo pra você, mas apenas o suficiente para que consiga me dizer, olhando nos meus olhos, que sou importante, que a nossa distancia dói  tanto em você quanto dói em mim.

Calebe Pacheco

Adeus Jorge Pacheco

 adeus.jpg

 

Seu Jorge, seu forte.
Valente, corajoso e desbravador.
Servo que edificou mais que templos,
Se dedicou e amou pessoas.

Viajante sem fronteiras pelo Brasil,
Foi pastor, profeta, missionário,
Amigo e instrumento de Deus
Para reconstruir familias destruídas.

No sacerdócio de avô,
Você era minhas ferias preferidas,
Meu conselho a qualquer hora,
Exemplo de guardião da palavra de Deus

Nunca poderei esquecer as milhares de vezes que engraxei seus sapatos
Das inúmeras vezes que roncou ao tentar me fazer dormir,
Da caixa de bombom garoto, presente certo em todas as ocasiões especiais,
E das maravilhosas viagens que fizemos juntos

A sua partida, mesmo que esperada, fere nossos corações,
Mas nos alegra em saber que o seu grande sonho foi realizado,
De estar na presença do nosso maravilhoso Pai,
Desfrutando de Sua presença, amor e glória.

Infelizmente não estou perto para ver você pela ultima vez,
Mas guardo na minha lembranca, a sua luta e perseverança,
Para ser a cada dia um melhor marido, pai, avô e servo de Deus.
Pode me esperar, porque ainda vamos celebrar as minhas definitivas ferias desta terra juntos.

Beijos de seu neto Calebe Pacheco

Encontros e despedidas

Decido não decidir

mar-nova.jpg 

Chega de perguntas sem respostas,
Mar de questões que não saem da areia,
Âncora retrógrada da minh’alma,
Que me prende a ressaca do mar.

Cansei de fadigar o corpo com minha alma esgotada.
Se tenho que viver, vivo! Se tenho que morrer, morro!
O que não posso e viver como se estivesse morto.

Às vezes vivo tanto a surrealidade do futuro,
E carrego de tal forma a nostalgia do passado,
Que não percebo a realidade do presente.

Quero penetrar no que os meus olhos vêem,
Experimentar o que o meu coração sente,
Sentir o sabor amargo e doce do agora.

Decido:
Não decidir mais sobre as paixões;
Não mais terminar os amores invisíveis;
E apreciar só o que Deus me permite viver.

Calebe Pacheco

Por assalto

calebe-web.jpg 

Como se conquista uma cidade por assalto,

eu preciso ser tomado,

surpreendido por um amor,

que na calada da noite

derrube meus muros,

imobilize minhas armas

e cerque-me ao ponto de constranger-me

a entregar minha alma.

 

Porque o amor, com sua majestade,

não pede licença, toma o que lhe pertence,

arrebata-nos à condição de sóbrios

neste mundo louco.

 

Não há mais tempo para se perder,

jogar ao léu os dias que não sorrimos,

dançamos, sonhamos e choramos.

 

Sufoca-me com os teus beijos!

Cega-me com o teu calor!

Envenena-me com o teu perfume!

E toma o que e teu!

 Calebe Pacheco

Meus olhos tremem

lagrimas.jpg

Hoje sonhei com a saudade

de navegar por Brasília,

de voar pela Esplanada,

cortando as inúmeras tesourinhas

e aterrissando no meu porto seguro,

ventre de minha mãe

Cidade onde não preciso de bússola

pra encontrar o meu caminho.

Onde em cada esquina

sinto o cheiro dos meus amigos,

e tenho aquecido meu coração,

por uma familia abençoada.

Mas quando abri meus olhos,

acordei dentro de outro sonho:

de navegar oceanos desconhecidos,

de voar por terra de outros mundos,

contornando inúmeras estrelas,

e aterrissando em portos nunca vistos,

ventre de outras nações.

Que pesadelo terrível!

Minha bússola quebrou,

o meu olfato secou,

e não tenho perto de mim

a benção que aquece meu coração.

Ah! desgraçada saudade,

que esmaga minhas emoções.

Quase me derruba no meio da galáxia

em cima de um cometa,

que voltava pra minha casa.

Minha garganta arranha,

meus olhos tremem,

preciso respirar…

Sem fronteiras

Todo ser humano nasce com asas
e também com o medo de voar
Pois para planar é preciso saltar
Sair do ninho e o despenhadeiro enfrentar

Oh! Doença terrível de sempre querer mais
Mas por que ficar deitado se posso arrastar?
Arrastar se posso engatinhar e também andar?
Andar se posso correr? E correr, se posso voar?

O medo nos aprisiona e nos salva
É a desculpa do frouxo, e o combustível do audaz
Arma das pequenas e grandes vitórias
justificação de uma vida tímida e mediana

Chegou a hora de ousar, saltar no despenhadeiro
Correr o risco do erro, ou da recompensa de voar
Conquistar o planeta por atrevimento
Ser cidadão de um mundo sem fronteiras

O obvio é ópio para a minha alma
A rotina, doença para o meu viver

O segundo

Acho que não há amor como o primeiro
Aquele da tenra idade: inocente e singelo
Que se nutre da virgindade sentimental
Que se agiganta com a utopia existencial
De uma criança que mal acordou pra vida

Amor que evoca sentimentos singulares
Como aquela sensação de perder o fôlego
De anestesia e pensamento furtivo
Com lágrimas inusitadas e sorriso frouxo
E da absoluta certeza no futuro venturoso

Mas com a maturação do ser glorioso
Estas propriedades não se harmonizam
Com a involução da alma e a falta de utopia
Com o despojamento das ilusões e da fé
Com as feridas carregadas de pé em pé

O doce de criança já não é tão doce,
As grandes e lúdicas festas da vida
Perdem o sabor da especialidade
E o tão esperado novo amor, azeda
Com desconfiança, cobrança e descrença

Mas se eu pudesse alterar minha estrutura
Não tentaria eternizar o meu primeiro amor
Escolheria a simplicidade da pomba
A inocência e a singeleza da criança
Para começar o meu segundo amor como se fosse o primeiro.

Viver o que digo

Eu preciso dizer, vivendo as palavras que me dão fôlego e mostram quem sou.
Que sejam lidas, ouvidas e assistidas, como exemplo mudo, por aqueles que perderam a inspiração correta de vida.
Se digo o que ouço, mas não vivo, a locução torna-se inaudível por não ter vocábulo próprio.
Que ao escrever o livro da minha vida, diga que poderei tropeçar nas vírgulas e pontos. Porém, lutarei, diariamente, para acertar. Miro no maior exemplo de coragem, perseverança, humildade e amor: Jesus Cristo.

O sentido do sofrer

Descobri o verdadeiro valor da liberdade quando a perdi;
Descobri como é bom ser amado quando fui odiado;
Descobri o prazer do doce ao experimentar o amargo.
A vida precisa de pesos e contra pesos para se equilibrar.
Qual a graça do céu sem o inferno? Como experimentar o amor de Deus sem o castigado e o ódio do Diabo?
Quanto mais se vive uma guerra, mais próximo se está do verdadeiro sentimento da paz. Não se valoriza a bonança sem a passagem pela luta, uma dá sentido à outra. A antítese é que dá graça à vida

Próxima Página »