Posts de novembro \16\UTC 2009|Página de posts mensais
De volta ao “porto seguro”
Olá a todos os meus leitores e aos curiosos que querem saber um pouco sobre a vida de quem mora fora do Brasil, em especial na Austrália.
Em primeiro lugar quero agradecer a você por acompanhar esta que considero a maior aventura da minha vida. Os 2 anos que passei na Oceania me fizeram ter uma reviravolta na minha maneira de pensar. Hoje me considero muito mais preparado para enfrentar os problemas, com uma cabeça muito mais aberta e antenada nas coisas que acontecem ao meu redor. Também me considero, agora, um profissional sem medo de arriscar e de encarar os desafios.
Trabalhar em tantas áreas na Austrália (professor de forró, DJ, lavador de prato, serviço de limpeza em shopping e em escritório, garçom, jornalista e sanduicheiro), me fez enxergar que posso fazer qualquer coisa. Não tenho mais medo e vergonha de nada. E falo sério! Não sei se no seu estado é assim, mas em Brasília, quando você é apresentado há uma pessoa, necessariamente ela vai perguntar onde você mora, o que você faz e qual o seu grau de formação. Tudo isto para enquadrá-lo numa lista imaginária que irá dizer o quanto a sua amizade é importância. É obvio que ao sair a pessoa ficará atenta ao seu carro para dar o arremate final.
Fora do Brasil isto não acontece, porque todos os brasileiros estão no mesmo barco. Andam a pé, de bicicleta, transporte público ou carro velho. Trabalham lavando prato, de garçom, limpando chão, na cozinha, o tipo de serviço que não se dá valor por aqui. Moradia? A maioria paga aluguel e divide casa com várias pessoas. Quando se tem o próprio quarto pode se considerar uma pessoa bem instalada, porque muitos o dividem para baratear os custos. Estas experiências nos fazem dar valor às coisas que realmente importam na vida.

Agora estou de volta no aconchego da família. Cheguei no dia 29 de junho, numa baita surpresa para a minha mãe e irmãs. A previsão era voltar no fim do ano, mas em Janeiro passado decidi antecipar a viagem. Alguns fatores me fizeram tomar esta decisão. Na minha avaliação eu já tinha feito o que me propus ao sair do Brasil; eu também não queria perder a passagem, o que me geraria um prejuízo de 4 mil reais; e não passava pela minha cabeça ficar mais um inverno gelado da Austrália.
Com um mês e 11 dias no Brasil comecei a trabalhar. Estou com dois empregos e começando devagar um negócio próprio. Na avaliação de muitos economistas o Brasil está bem. Graças a Deus tenho percebido isto na prática.
Tenho muito a agradecer a todos que me apoiaram em Perth. Fiz amigos que levarei para o resto da minha vida. Às vezes tenho saudade, mas não a ponto de querer voltar. Sinto que o meu tempo por lá já se foi. Agora tenho que apostar todas as minhas fichas emocionais e profissionais neste país que tanto amo.
Espero em breve voltar a escrever, mas agora com o intuito de mostrar a beleza das cidades brasileiras para os meus amigos espalhados pelo mundo.
Um grande abraço
Calebe Pacheco

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